sábado, fevereiro 10, 2007

Pergunta-me...









Pergunta-me

se ainda és o meu fogo

se acendes ainda
o minuto de cinza

se despertas

a ave magoada
que se queda

na árvore do meu sangue


Pergunta-me

se o vento não traz nada
se o vento tudo arrasta

se na quietude do lago
repousaram a fúria

e o tropel de mil cavalos


Pergunta-me

se te voltei a encontrar

de todas as vezes que me detive

junto das pontes enevoadas
e se eras tu

quem eu via

na infinita dispersão do meu ser

se eras tu

que reunias pedaços do meu poema
reconstruindo
a folha rasgada
na minha mão descrente


Qualquer coisa
pergunta-me qualquer coisa

uma tolice

um mistério indecifrável
simplesmente
para que eu saiba
que queres ainda saber

para que mesmo sem te responder

saibas o que te quero dizer


"in Mia Couto"